sábado, 17 de setembro de 2016

Introdução a Engenharia 01

Ideia Inicial -- entendendo o problema


Primeiros passos do projeto de introdução a engenharia.

A Luvinha V.A.I. consiste em uma luva de tecido, na qual será acoplado um circuito eletrônico capaz de piscar oito leds e emitir um sinal sonoro.




O primeiro problema obvio é como construir isso usando apenas eletrônica básica, sem que a luva se torne pesada demais. Uma solução direta seria usar um MCU programado para gerar tanto o sinal sonoro, quanto o padrão de pulso dos leds.


Essa solução foi descartada por envolver conceitos de eletrônica e programação que estão muito acima do esperado neste projeto. O problema se figura em: como criar a luva sem usar os meios mais óbvios?




A questão do sinal sonoro, pode ser facilmente implementado por um Multivibrador 555. O mesmo sinal aplicado ao alto-falante poderia ser usado para criar o padrão de pulsos dos leds.

Um Problema imediato disso é a frequência gerada pelo NE555, se baixa demais teríamos um som muito grave, e pouco chamativo; mas se muito alta, teríamos um padrão de pulso muito alto para piscar os leds, fazendo-os parecer estarem ligados ininterruptamente.


Assim o primeiro desafio é encontrar uma configuração para o NE555, para que ele gere uma frequência para um som num tom tal, que seja chamativo, mas que permita o piscar dos leds ser perceptível.

No Proximo post, imagem com o diagrama elétrico do primeiro protótipo.

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domingo, 29 de março de 2015

Por que gostamos de alguém?

Uma pequena aventura pessoal

Aventuras pessoais podem ser tolas aos olhos dos outros, mas só quem as viveu sabe seu significado. Só quem esteve lá sabe dizer por que foi especial.

Eu vivi em 2014 uma destas aventuras pessoais, cheias de significados íntimos e desafios pessoais. Pensando nela, escrevi um texto, que talvez não tenha ficado bom, perdi-me na profusão e confusão de lembranças e atalhos da mente. mas de qualquer forma, é algo que quero compartilhar.

Quero compartilhar minha pequena aventura...

Por Tarja

Vou adentrar nos labirintos de minha mente, ainda que temendo me perder por lá, buscando respostas para algumas questões que há algum tempo me assombram.

Por que gostamos de alguém?

Porque nos faz bem, nos faz rir, nos faz sentir melhor. Seriam as respostas mais obvias.

Mas e quando esse alguém sequer sabe que existimos, e a despeito de todas as fantasias e sonhos, nunca saberá?
E se souber, não passará disso, um simples e distante 'ele sabe que eu existo'.

Por que gostamos de um artista em especial?
Quanto tempo, dinheiro e esforço você emprega com quem você gosta? E mais importante, o que espera em troca?

Essas perguntas são meu norte nessa minha pequena viagem. Vou mergulhar na minha mente, vasculhar na confusão de lembranças boas e ruins, em busca das cores que devem haver na escuridão.

Quando numa noite comum, num dia qualquer em outubro de 2013, eu estava no Facebook lutando contra o tédio e ouvindo musicas aleatoriamente. Um acontecimento ínfimo marcaria o inicio de uma longa profusão sentimentos, ações e decisões, uma 'viagem de férias'.
Uma simples postagem no perfil oficial da soprano finlandesa Tarja Turunen, anunciando locais e datas para três shows dela no Brasil.

Ela vem ao Brasil! Minha cantora favorita vai voltar e desta vez eu vou! Ecoou em minha mente. Nunca havia assistido um show ao vivo, pois moro no interior do Brasil e para assistir uma apresentação ao vivo tenho que literalmente cruzar o país. Até então, nenhum artista havia me motivado à tanto.

Nenhuma atitude foi tomada de imediato, talvez por causa do tédio ou da 'distancia', eu tenha suprimido a ideia assim que ela terminou de ecoar. Mas as boas ideias são imortais, e essa permaneceu em algum ponto de minha mente, movendo-se de tempos em tempos, sussurrando a lembrança de que 'Tarja esta vindo...'

Fazer um viagem tão longa, até Belo Horizonte, uma cidade que nunca estive antes, viajar sozinho e sem conhecer ninguém de lá, voar de novo depois de 10 anos... Todos pequenos desafios pessoais, que somados se tornam um ótimo motivo para deixar a ideia morrer.

Fui ao site de venda dos ingressos, vi os preços. Caros, sem duvida, mas nada 'impossível', já que havia tempo para se programar para os gastos da viagem.

Tempo, distancia, dinheiro, medo...

Mas boas ideias se recusam a morrer, se você precisa fazer algo, se uma ideia deve se tornar realidade, ela vai persegui-lo, cansá-lo e vencê-lo.
Por fim comprei o ingresso para o camarote, pois ainda receoso pelo 'medo do desconhecido', achei desconfortável a ideia de ir para a pista. Cerca de vinte dias depois chegava, via correios, meu ingresso. Tê-lo em minhas mãos foi, estranho, pois senti alegria por fazer algo que realmente queria fazer, mas assustado por o estar fazendo.

Novamente no Facebook, em comunidades criadas por fãs, conheci a outros de Tarja Turunen, alguns que iriam ao show de BH, que em suas pequenas aventuras particulares compartilhavam de minha tensão e 'medo'.

Há uma nota em particular que vale contar, o show dela em BH ocorreu em 11 de setembro de 2014 e no acumulado de detalhes ínfimos, me veio a mente que eu estaria voando, indo para um aeroporto internacional, em 11 de setembro. Quando se esta tenso, mesmo o menor elemento é relevante para sustentar a apreensão.

Conversar com eles pelo Facebook, e posteriormente pelo Whatsapp, num canal especifico sobre o show em BH, me ajudou a alcançar a calma, sentir que seria possível e talvez nada traumático essa pequena aventura pessoal.
Por esses meios conheci a tantos que fica difícil nomeá-los. Não interagi com todos como gostaria, mas com os que consegui, foi intenso e muito engrandecedor. Devo muito a eles, por sua amizade e paciência, por suas historias compartilhadas e 'presença' permanente.

Jonatas, da Bahia em sua própria pequena aventura rumo BH, indo ao show e indo entregar uma boneca 'barbie Tarja Turunen nemo'. Por essa boneca acabei por fazer algo que nunca havia feito, escrevi para o perfil oficial de Tarja no Facebook, contando sobre a boneca e sobre o desejo de Jonatas de apenas entregá-la nas mãos dela. Segundo ele, ou entrego em mãos, ou a atiro no palco (temíamos que com a mira do Jonatas, ele acabasse por atingir a cabeça dela...). Acompanhei todos os dias de esforço de meu novo amigo em preparar a boneca, fazer o vestido e todos os detalhes, e se ela, ou mais provável alguém da equipe dela, chegou a ler minha mensagem é irrelevante agora.
No dia do show, Jonatas conseguiu ficar na grade realizar seu feito. Um momento de indescritível beleza, quando num movimento simples e singelo Tarja, de cima do palco, se curva e estendendo a mão pega a boneca das mãos de Jonatas, enquanto todos que conheciam a historia por trás deste momento gritavam esfuziantes.
Por que há beleza esse momento? Por que algo tão simples se torna tão importante?
Porque a beleza não está nos grandes atos, está nos sinceros. Ela poderia ter ignorado a boneca descabelada e suja, tal como ficou depois que todos que a viam quererem pegar e 'brincar' com ela. Mas ela estendeu a mão, e por um breve momento Jonatas e ela seguraram no mesmo objeto. Há beleza, porque para alguns, vencer o desafio significa chegar chegar no cume da montanha, olhar o mundo de cima e dizer 'estou no topo', para outros é o simples momento de olhar nos olhos e dizer 'fiz para você'.

Erik e Hud, administradores do canal do Whatsapp sobre o show. Lindos e lideres do grupo. Há algo neles que inspira tranquilidade aos demais. Foi fácil ficar perto deles, foi aconchegante e reconfortante.

Tayna, a menina extrovertida e expansiva que cativou a todos com seu carisma, sua simpatia e seu decote... digo, sorriso.

Marcela Lasmar, nossa parceira de camarote, ostentadora de uma foto com Tarja.

Jeff, com seu sorriso fácil e cativante, empolgado e afetuoso. Sua companhia, embora tenha sido curta, foi marcante.

Guilherme Magalhães, meu primeiro contato verdadeiramente Tarjista. Erudito por natureza.

Tantos outros de me cativaram e deixaram-se cativar por mim. Alguns eufóricos por ir, outros melancólicos por não poder ir.

Helena, do Piauí, não pode ir, mas pediu para festejarmos por ela. E o fizemos.

Assim, os dias de conversas se alongaram, os contatos do Facebook se formaram e semanas antes do shows chego a sentir-me arrependido de comprar o ingresso do camarote. A pista agora, se projetava como algo muito mais interessante.

Mas voltando um pouquinho no tempo, há algo que esqueci, concentrado que estou em meus amigos de BH, me esqueci que, também fui ao show dela no Rio de Janeiro...

Já era Maio de 2014 quando, conversando com minha amiga Paloma, que mora no Rio de Janeiro, lhe contei de meu 'impulso' incomum em fazer tal viagem e ela me convidou para ficar na casa dela alguns dias. Eu estaria tão perto, nada mais justo que eu e minha 'menina perdida' finalmente nos conhecermos.

Assim por volta de Abril, estava tudo definido, pegaria um ônibus no dia 10 de setembro até Goiânia, estado de Goiás, chegando lá as 5 da manhã, de lá um voo até Congonhas, Estado de Minas Gerais, chegando as 4 da tarde, um ônibus até Belo Horizonte, e iria a pé até o hotel chegando lá às 5 da tarde; banho, roupa e táxi até o Music Hall por volta das 6 da tarde. No dia seguinte ônibus até Congonhas, voo até o rio chegando por volta das 9 da manhã no rio, vou para casa da minha amiga e fico lá até domingo, para o show da Tarja no Circo voador. Esse era o plano, definido e visualizado com messes de antecedência.

Mais que enfrentar o 'monstro', o que assusta é não conhecer seu tamanho. Mas agora meu monstro fora medido, tinha tamanho, cor e cheiro, era vencível, domável. Não assustava mais.

Dez de setembro, nove e meia da noite, embarco no primeiro ônibus rumo Goiânia, no 'coulours in the road' eu era mais um grão de tinta na estrada. O preto e vermelho de minhas roupas, o negro do esmalte nas minhas unhas, o verde dos meus olhos, indo encontrar o verde dos olhos dela.

Meu cronograma de horários era tão apertado que não havia margens de erro, se tudo saísse no horário, eu chagaria no Music Hall as 6:30 para os portões abrirem as 7:30. Não havia tempo para atrasos. E não foi preciso. Às 6:30 lá estava eu, às portas do Music hall, abraçando meus novos amigos, conhecendo-os no real sentido de conhecer alguém, olhando-os nos olhos, sentido seu calor, vendo seu sorriso.

Lá conheci Grace Kholman, uma 'Dragon' (Fã do Within Temptation) e entusiasta da Tarja. Embora já a 'conhecesse' do Facebook, foi ali também que nos conhecemos de verdade. O que conhecia dela é o que compartilhamos no Facebook, seu apreço por series de TV, seu serviço 'escravo voluntário' para a banda Within Temptation...

Na longa espera, acabei por conhecer uma das meninas mais introspectivas, reclusa em si mesma, (mesmo na 'multidão' que a cercava) Myla Eslaine. Lider do fã clube da Tarja, motivada para o show, pouco atenta para os que estavam em sua volta.

Pude na fila passar um pouco de tempo com Thais Teixeira, encantadora menina, um sonho de mulher, com seu estilo gótica comportada, sempre transitando entre o sóbrio e espontâneo, na medida certa. Olhos atentos e sorriso livre, fácil e encantador.

Por um motivo ou outro, acabei por me afastar delas, ficando bem próximo de Tayna. Quem me ajudou, mesmo tendo chegado meia hora antes dos portões abrirem, ser um dos primeiros a entrar, e depois de então, mantivemo-nos sempre perto. Corremos, bebemos, demos uma entrevista (sim até isso aconteceu!) ficamos lado a lado todo o show. No camarote ficamos tão 'em cima', que víamos o palco por trás da linha branca, Tarja para nos ver tinha que quase voltar-se para a banda.
Por que ela iria querer nos ver? Digamos que tinha o fator Tayna...

Terminamos a noite roucos, eu de gritar e 'cantar' (na verdade o que faço é algo bem próximo do canto, mas não se pode dizer de todo que é canto...) ela, de berrar interruptamente coisas como 'Tarja olha pra cá' e claro, o já mitológico: “kiss camarote”.

Foi uma noite forte, intensa. Depois do show, depois da 'foto oficial' dos 'Tarjetes de BH', acabei por ter mais um momento com Thais, na praça em frente ao Music Hall, esperamos o taxi. Vimos a van levar a banda embora. E ficamos por lá, conversando, descobrindo um ao outro. Dividimos o taxi, até meu hotel, de onde ela seguiu para a casa dela, e foi fui dormir, para continuar minha jornada, agora rumo ao rio de janeiro.

Aqui cabe uma nota de Grace Kholman, ainda no foco de minha história.
Grace teve sua própria aventura pessoal, indo messes depois do show da Tarja, a um show do Within Temptation em Nova York. Eufórica, ela postou no FaceBook que havia conseguido abraçar a Sharon den Adel. Um mês depois, aqui no Brasil, ela espera a banda desembarcar no aeroporto, consegue mais que um rápido abraço. Autógrafos, fotos, todos os 'troféus' de fã.
Vendo-a nas fotos com Sharon, atinei-me ao fato de que nem ao menos tentei tal feito, quando estive em BH para o show da Tarja.
Mas repensando tudo, não havia tempo hábil. Reconheço que isso é um subterfúgio comum ao 'derrotado', tirar de si a culpa e por na escassez de tempo é lugar comum de quem falhou.
Mas neste caso vou insistir nele, por que para ter esse nível de 'tietagem' eu teria que chegar antes, ficar mais tempo em BH. Cheguei em BH algumas horas antes do show, e fui embora as sete da manhã do dia seguinte ao show. Eu estava concentrado em minha outra pequena missão: encontrar minha menina perdida.

Mas...

...há coisas que não devem acontecer.

Mais uma vez a menina escapou-me por entre os dedos, ficou longe dos olhos e de meu alcance.
Ao acordar no hotel, na manhã do dia 12 de setembro, vejo em meu celular duas ligações não atendidas, duas ligações de Paloma.
A sogra dela havia falecido na noite do show, creio eu que dentro do intervalo de tempo do show. Assim ela e o marido inglês, estavam indo imediatamente para Londres, velar e se despedir dela.

Durante 12 anos houve 1200 quilômetros entre eu e minha menina perdida. Quando meu avião aterrissa no Rio de Janeiro, o dela esta cruzando o Atlântico. Sempre houve um país entre nós, agora havia um oceano.

Meu plano de aproveitar o Rio até bem depois do show não existia mais. Meu monstro agora cresceu, e não podia mais medi-lo. Minha segurança era meu plano, meu cronograma. Sentia me inseguro e sozinho em uma cidade estranha e violenta.
Minha motivação e animo em ver o show estavam menores. A dor de minha amiga, sua perda, nosso desencontro, tudo doía.
Do momento mais alegre em muito tempo, eu mergulhei no mais melancólico em muitos anos. Senti medo, mas ainda assim, senti que queria enfrenta-lo. Sentia-me triste, mas sabia que iria passar.

Do show do dia 14 de setembro, no circo voador, tenho pouco que falar. Na fila eu estava 'sozinho'. Não havia rostos conhecidos. Grace estava lá, em algum lugar na fila, distante demais de meus olhos. Minha mente também estava em outro lugar. Estava com minha amiga, em seu luto e dor. Distantes no espaço, mas próximos em sentimentos.

O show em si, foi um momento de alivio. Cantar, gritar! Me ajudaram muito. Sentia-me melhor depois de extravasar um pouco durante aqueles momentos.

Na quarta-feira estava eu embarcando de volta para casa. Dois aviões e um ônibus até chegar em casa.

Na quinta a noite eu estava atravessando os portões de casa, um grãozinho de tinta, um pouco desbotado, cansado. Num misto de felicidade e tristeza, de força e fraqueza, vitoria e fracasso, tudo bem equilibrado, na media da vida, porque nada é perfeito.

Enfim estava em casa, terminando minha pequena aventura pessoal, me perguntando como tive coragem de faze-la. Como alguém que já teve agorafobia enfrentou cidades desconhecidas, bruscas mudanças de planos, pessoas estranhas.

Por que gostamos de alguém? Porque este alguém, as vezes sem saber nem intenção, nos ajuda a quebrar as pequenas barrerias que nos mesmos criamos. Nos motiva a tentar, a despeito das dificuldades, lutar para que sonhos e fantasias se tornem realidades.
Motivei-me por Tarja, mas se o fiz, foi por meus amigos, foi por mim.

Por que gosto dela?

Porque ela, de um modo tortuoso e obviamente não intencional, me ensinou a gostar mais de mim.

Cácio José Gazola



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quarta-feira, 28 de maio de 2014

NightWish 20 anos... O tempo passa rapido demais

Quando o vento sopra forte

Em 2016 a banda finlandesa NightWish vai completar 20 anos. Foi proposto aos fãs brasileiros, organizados pelo clube 'Nightwish the begins a new era', que se fizessem crônicas, contando como conheceram ou como a musica dele os marcou. Eu aceitei o desafio e escrevi a minha. Leiam e deem sua opinião. As crônicas serão compiladas em um livro que será dado de presente aos membros da banda. Como ficará, isso o tempo nos dirá. Então... Que o vento sopre.

Quando o vento sopra forte


Por Cácio José Gazola


Continuamente o vento sopra, na maior parte do tempo é apenas uma suave brisa, suficiente apenas para nos levar para frente. Mas em alguns momentos da vida ele sopra forte, nos jogando em turbilhões de acontecimentos. O vento que nos obriga a esquecer quem eramos, para nos permitir entender quem somos, é sobre ele que quero falar. Quero contar as mudanças que nos dão um novo proposito, que nos moldam em novas formas, assim como o vento agride a paisagem, moldando-a em silhuetas novas e mais belas. Uma cronica sobre como a musica, o talento e a historia dos integrantes do nightwish se entrelaçaram em momentos da minha vida. Assim...

...Uma vez, quando eu ainda estava envolto por minha solidão, tendo a tecnologia como minha única companhia, fantasias como refugio, quando a introspecção era meu mundo.

Em um raro momento de retorno, ou quem sabe fuga para o mundo real, graças as minhas paixões pela fantasia e tecnologia, eu encontrei uma problemática menina. Mesmo havendo mais de mil quilômetros entre nós, seu carisma me cativou, sua necessidade em se abrir com alguém tão familiar me soou. Sua personalidade acendeu minha curiosidade, não havia receios para ela me contar cada detalhe de seus problemas, ela confiava em mim. Esses problemas me envolveram e me tiraram da letargia, animaram minha alma em querer ouvi-la e ajudá-la.

Por ela então, conheci um som diferente de tudo que até então eu já ouvira. Era como se eu encontrasse algo que há muito tempo estivesse procurando, mesmo sem estar consciente deste procurar. Conheci a voz, os acordes e notas, o talento do NightWish. E assim, juntos em nossa solidão individual, por incontáveis noites nós conversamos e ouvimos as musicas, faixa após faixa, cd após cd. Juntos, mesmo havendo mais de mil quilômetros entre nós.

A voz era assunto recorrente, os acordes tema sempre presente. Entre os desabafos trágicos de sua vida, desviar para esses assuntos era reconfortante, era revigorante. Mas dois anos depois o vento da mudança soprou forte. A minha menina problemática escapou-me das mãos, tornou-se mais distante do que pude alcançar. O vento forte como soprou, também soprou do outro lado do oceano, a voz não fazia mais parte da banda.

Lá uma nova voz, aqui um imenso silêncio. Um texto amargo fez a voz chorar e silenciar. Os textos doces que eu trocava com minha menina não existiam mais.

Meses se arrastam, conta-se um ano e nada quebra o silêncio. A nova voz, tão diferente, tão mais doce que em nada lembra a voz, também me nega em trazer as lembranças das incontáveis noites com minha menina agora perdida.

Mas o vento sempre sopra. A voz agora andando sozinha, com folego renovado, em seu próprio caminho nos mostra algo tão diferente do que estávamos acostumados, algo tão doce e 'feliz'.

Sem cessar o vento sopra, mas desta vez traz de volta minha menina. Ela esta revoltada consigo mesma, pois ela permitiu perder-se em seus problemas. Houveram overdoses, internações, coma. Mas nada disso é realmente relevante, estamos juntos agora, e ela esta ao alcance de meus olhos e minha mente. As musicas felizes fazem sentido agora. A nova voz, que doce e suavemente nos ensinou a dizer adeus a beleza, tornou-se agradável, palpável, admirável.

Ela está mudada, mas está bem, está andando em seu próprio caminho, conhecendo novos horizontes, novos limites e possibilidades. Está expondo sua arte, vivendo amores e encarando novos medos. Se testando e crescendo.

O vento ainda sopra, sempre sopra. A década quase no fim e ela esta gravida. Uma nova vida, uma nova força, um novo pulsar. Não. Uma criança sem coração, uma vida sem força, uma alma que nunca pulsará. O preço da overdose.

O vento sopra, para lá e para cá, leva e trás de volta. E como as lembranças que repousam em paz, as dores e tristezas se tornam passado. Um que insistentemente nos assombra, mais ainda assim passado. Como as águas que moem os ossos, o tempo tem que moer o passado. Minha menina perdida esta se casando! Ela se encontrou. A gravidez que os afastou, os aproximou com mais força depois. Uma outra gravidez afastou a nova voz da banda, tudo isso para no fim ninguém nascer.

Outra voz agora entoa forte as velhas musicas, uma voz que soa familiar. O vento sopra mais calmo agora. A voz trilha seu caminho. A nova voz achou sua estrada. A mente se lança em sua própria jornada, provando no final das contas, que é possível pertencer a si mesmo e a uma banda ao mesmo tempo. A menina vive sua arte, incrustada na pele, e sua família.

Depois do vento nos testar, moldar em formas novas, que nós esperamos serem mais belas que as antigas, estamos todos bem. Individualmente em nossas solidões, andando coletivamente sozinhos, cada qual em seu próprio caminho, carregando suas dores e rancores, estamos todos bem.

Enquanto o vento soprar por nós.


Deixem suas opiniões. Elas serão muito bem vindas.

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domingo, 22 de dezembro de 2013

Problemas para compilar com libGL.la

libtool resolvendo problemas

Tentando compilar o fonte do geany-plugins (para ter o corretor ortográfico) encontrei problemas com um handler do libGL.la. Para resolver o problema, tive que começar do começo, partindo da seguinte pergunta: O que é o libGL.la?


Os arquivos *.la são pequenos arquivos de texto puro que contém informações uteis para o libtool, como versões de bibliotecas e localização das mesmas.


Meu primeiro problema foi:


libtool: link: cannot find the library `/usr/lib/libGL.la' or unhandled argument `/usr/lib/libGL.la'


Depois de orar para o deus google (ele sabe tudo e esta em todo lugar) descobri uma dica para criar o arquivo manualmente. O que obviamente seria um estresse a mais, já que estava cansado disso. Descobri em um blog em inglês uma boa dica para criar o arquivo 'vazio' (apenas com os itens a serem preenchidos). Pensei com meus botões (o terceiro botão de cima para baixo sempre me dá dica boa, já os outros...) seria mais fácil assim, depois encontro as informações que preciso e completo o arquivo. O comando foi rodado em /usr/lib:


libtool --mode=link gcc -g -O -o libGL.la /usr/lib/libGL.so


Depois de executado, o comando cria, dentro do diretório em que você estiver, um arquivo mais ou menos assim:


# libGL.la - a libtool library file
# Generated by libtool (GNU libtool) 2.4.2
#
# Please DO NOT delete this file!
# It is necessary for linking the library.

# The name that we can dlopen(3).
dlname=''

# Names of this library.
library_names=''

# The name of the static archive.
old_library='libGL.a'

# Linker flags that can not go in dependency_libs.
inherited_linker_flags=''

# Libraries that this one depends upon.
dependency_libs=''

# Names of additional weak libraries provided by this library
weak_library_names=''

# Version information for libGL.
current=
age=
revision=

# Is this an already installed library?
installed=no

# Should we warn about portability when linking against -modules?
shouldnotlink=no

# Files to dlopen/dlpreopen
dlopen=''
dlpreopen=''

# Directory that this library needs to be installed in:
libdir=''


Observe que o arquivo está 'vazio', por isso ao rodar o slackbuild do geany-plugins o erro passou a ser arquivo inválido. O próximo passo seria encontrar os dados sobre o libGL.so para completar o arquivo. O libGL.so fica em /usr/lib. Procurando um jeito de obter essas informações, encontrei uma resposta mais completa sobre o erro aqui. Pelo texto, temos um comando mais completo que não só cria o arquivo vazio, mas o preenche com as informações (ainda estou estudando o manual no libtool para entender em detalhes o que o comando faz), embora a dica seja de 2006, para slackware 10, aqui no meu slackware 14 funcionou direitinho.



O comando deve ser executado dentro do diretório /usr/X11R6/lib, que na verdade é um link para /usr/lib:


libtool --mode=link gcc -g -O -o libGL.la -rpath /usr/X11R6/lib -lm

Depois disso, o slackbuild conseguiu rodar direito e criar o pacote. O mais interessante entre os dois comandos, é que o segundo cria o libGL.la e o preenche com... zeros. Isso mesmo, a maior parte das informações inseridas pelo segundo comando se limitou a "0", mas tudo funciona direitinho, então para que reclamar né?



Por hoje é só pessoal. =]

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